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terça-feira

Informações gerais sobre o...


2025 - Comemorações dos 57 anos

Apresentação / Cronologia:
Lançamento no Salão de Paris, em Setembro de 1968. Comercialização na Europa até 1983. As carrinhas e as pick-up continuaram a ser vendidas até 1991, nomeadamente em Portugal. O fim definitivo estava ditado na Nigéria em 2005, tendo sido produzidos exemplares na China e na Argentina até 1999. Total da produção: 3.680.439 (2.624.650 berlinas; 650.132 breaks; 370.996 pick-ups; 26.476 coupés; 8.185 cabriolets).

A importância do 504 para a Peugeot:
Apresentando características extraordinárias para a época, o novo topo de gama arrebataria o primeiro prémio internacional da casa gaulesa: "Carro do Ano 1969", contra adversários de peso, tais como: BMW 2500/2800, Audi 100, Jaguar XJ, entre outros.
Para além de ter sido um dos melhores produtos realizados pela marca de Sochaux, numa determinada altura da história (1968-75) - que contemplava 3 motorizações a gasolina (1.8; 2.0; 2.7 V6); 3 a gasóleo (1.9; 2.1; 2.3) e ainda uma variante utilizando GPL - o 504 teve uma grande carreira, enquanto serviu a sociedade sob inúmeros aspectos. A berlina serviu de transporte às altas patentes da época, tendo prestado serviço a políticos franceses e, ainda, a ministros portugueses, por ocasião do 25 de Abril. A classe burguesa, embaixadores, jogadores de futebol, entre outros, foram alguns dos interessados neste de tipo de afirmação automóvel.
Muito procurado para o cinema, o 504 foi protagonista num dos episódios da série "Os Persuasores", com Roger Moore; entrou no filme "Um Lobisomem Americano em Paris"; no filme de James Bond, de 1981 - "Somente para seus olhos" - em que participou Roger Moore, onde dois 504 azuis de bandidos perseguem um Citroën 2 cv, de um agente secreto britânico, por estradas da costa azul francesa, não faltando inúmeros malabarismos; fez também presença na série:"Inspector Clouseau", onde era carro de serviço do comissário Dreyfuss. Ficam também registadas as participações em: "L' extra-terrestre", de Didier Bourdon, uma comédia que utilizou um 504 sedan oferecido pelo clube francês de 504: "L'amicale 504"; Barbecue-Pejo, realizado por Jean Odoutan; e ainda "Le Dernier Baiser", interpretado por Serge Lama.
O 504 participaria ainda em muitas outras películas francesas, entre outras.
O carro assumiu-se como um dos mais robustos de sempre da marca do leão, conhecendo-se a sua reputação, um pouco por todo o planeta, graças, em parte, às vitórias alcançadas nos duros ralis africanos e ao facto de ter sido táxi, décadas a fio, em vários países à escala mundial. Hoje em dia, por exemplo, ainda faz esse tipo de serviço no Egipto e na Nigéria.
A seguir ao 206 e ao 205, o 504 foi uma das viaturas mais comercializadas pela casa francesa. Em 1975, a berlina TI tornou-se no automóvel topo de gama mais vendido da Europa. Nos anos 90 ainda vendia mais que o seu sucessor da altura, o 605.
Como já foi referido, a produção cessaria em 2005, ao fim de 37 longos anos a dar alegrias à casa mãe, que o viu nascer. Apesar de ter sido desenhado pelo estúdio italiano de design automóvel Pininfarina, o carro tinha alma francesa, conforme dizia um anúncio da época: "French Soul, Italian Style".

Vitórias em ralis:
A Peugeot começou por vencer ralis com o 404. As provas preferidas pela marca do leão eram as africanas, nas quais os seus modelos se adaptam perfeitamente, apesar das condições adversas dessas provas desportivas. A escolha do Peugeot 504 para dar seguimento a esta tradição, não ficou por mãos alheias...
O Peugeot 504 apresentou-se em 1968, tendo-se registado evoluções nos ralis até 1978. Apesar de muitos dos componentes de série se terem mantido, o carro estava adaptado às extremas condições, pois foi reforçado o chassis e a blindagem dos órgãos vitais. Apresentava ainda um depósito de 120 litros que lhe conferiu uma grande autonomia. O 504 sedan estreava-se no Rali da Córsega, pelas mãos de Guichet e Jean Todt. No ano de 1971, fazendo parte do grupo 1, onde os carros são quase iguais aos de rua, como foi referido, o 504 sedan obteve a sua primeira vitória no Rali do Marrocos dentro da categoria, tendo conseguido o segundo lugar da geral. Em 1975 ganhou o Rali de Marrocos, o Bandama na Costa do Marfim e o East African Safari. O carro francês foi pilotado pelo sueco Ove Anderson e pelo finlandês Hannu Mikkola. No Bandama daquele ano, partiram 52 carros dos quais apenas 6 chegaram ao fim. O 504 arrebatou o primeiro, quarto e sexto lugares. O Datsun 180 B, um dos seus principais rivais, ficou nas posições intermediárias. Enfrentou e venceu ainda o Lancia Stratos, que era pilotado por Sandro Munari. Em 1976 voltaria a ganhar o Rali de Marrocos, tendo sido conduzido pelo francês Pierre Nicolas. No Bandama voltaria a repetir a proeza, pelas mãos do finlandês Timo Makinen. O motor de 2 L chegou a apresentar 170 cv às 7.000 rpm na versão 504 sedan / Turismo Grupo 2 para os ralis africanos. Externamente, trazia grandes palas para evitar a projecção de lamas, chapa para protecção do cárter contra grandes impactos e faróis auxiliares com grades. Por dentro, e por obrigação do regulamento, apresentava rolbar e ampla instrumentação para navegação. O leão estava assim preparado para “comer” as terras mais poeirentas do planeta. Digno de registo será também o facto de Guy Fréquelin ter liderado, por algum tempo e de forma impressionante, o rali Monte Carlo 1976, num Peugeot 504 Diesel (2112 c.c. - XD 90), de apenas 65 cv.
No Rali Safari, para além do sedan, a marca francesa competiu com o 504 coupé, com um propulsor V6 PRV, (desenvolvido em parceria com a Renault e a Volvo) preparado para 225 cv, às 7200 rpm, tendo ganho em 1976. A carroçaria tornava-se mais robusta, com a recepção de mais pontos de solda. A suspensão era a de série, mas com molas e amortecedores mais firmes. No ano seguinte o sedan voltou a brilhar, desta feita na América do Sul, no Rali Transchaco. Ficaria com o segundo lugar da geral, pressionando persistentemente o líder na última etapa, um Ford Escort RS 2000 de 250 cv. Em 1978, voltaria a vencer nos ralis da Costa do Marfim e Safari. O 504 finalizaria o seu longo percurso africano em 1988, apesar de ter participado em muitas outras provas desportivas, inclusivé no Paris-Dakar.
O 505, por seu turno, não alcançaria o sucesso do 504. Teríamos que esperar pela década de 80, para que um senhor de seu nome 205 T16 fizesse novamente as honras da casa do leão.

Curiosidades acerca das motorizações Diesel:
A seguir à Mercedes, que começaria por equipar os seus modelos de série, nos anos 30, a Peugeot tornou-se num dos primeiros grandes produtores mundiais de motores diesel. Essa fama, que começou com a produção do propulsor INDENOR - produzido na divisão industrial desta casa francesa - equipou durante décadas modelos de marcas tão diversas, tais como: Citroën; Ford; UMM; tractores ENERGIC 519 TMD; e alguns camiões Chevrolet. Foram utilizados, ainda, em aplicações navais. Os motores INDENOR estiveram em produção contínua entre 1959 e 2005 e equiparam também uma série de modelos da Peugeot.
Dado que só muito mais tarde os japoneses entram neste tipo de mercado (1ª metade de 70's), assim como as restantes marcas alemãs - como o VW Golf - o Peugeot 504 foi considerado e apelidado, durante muito tempo, como o Mercedes francês, dado o segmento em que foi introduzido e a sua robustez que, como já foi referido, ficaria comprovada um pouco por todo o lado.

Museus:
Encontram-se expostas no museu da Peugeot, em Sochaux, duas berlinas (uma versão normal a gasolina - rigorosamente nova - e um exemplar dos ralis africanos), já para não falar em outros 504 e, ainda, muitos outros modelos da casa do leão.

Mais informações em: http://www.musee-peugeot.com/

Cotações:
As variantes sedan, break e pick-up do 504 apresentam boas cotações em países como Inglaterra, onde foram encontrados alguns casos pontuais, que atingiam valores entre os 10.000 e os 11.000 €. Todavia, é na Alemanha e na Holanda, que a versão sedan/berlina apresenta uma cotação mais coerente e abrangente, sendo praticados preços na ordem dos 5000 / 8000 €, em estado muito razoável. No país germânico, um TI em estado de concurso chega a valer 10.000 €. As variantes coupé e cabriolet estão ainda melhor cotadas, variando entre os 10.000 e os 15.000 €. As séries DANGEL, equipadas com 4 rodas motrizes (station wagon e pick up), encontram-se também valorizadas, no entanto, apresentam valores um pouco abaixo dos desportivos. Contudo, há a salientar que, noutros mercados, as cotações dos diversos modelos podem apresentar grandes variações, como por exemplo em Portugal, onde a troca comercial se faz de forma mais acessível.
Em relação ao 504 GLD Automatique, de que sou proprietário, não existe qualquer registo acerca da sua cotação. Foram pesquisados exaustivamente inúmeros sites, revistas e outros dados, mas de facto, estamos perante uma série muito limitada, conforme poderão constatar aquando da leitura do texto promocional "Os Clássicos de Rui Barata - Peugeot 504".
De seguida, apresenta-se um quadro resumo com as cotações na Alemanha, para 2015, que exemplificam o que foi dito anteriormente:

Hier die aktuelle Marktpreisübersicht aus dem Sonderheft "Oldtimer-Preise" für 2015:
  • 504 L / 73-79 / 1.8 c.c./ 79cv / 8800€-5900€-4000€-1600€-600€
  • 504 GL / 70-79 / 2.0 c.c./ 93cv / 10200€-6500€-4100€-1600€-600€
  • 504 TI / 72-79 / 2.0 c.c / 104cv / 10900€-7100€-4400€-1700€-800€
  • 504 Pick - up / 79-89 / 1.6 c.c / 62cv / ----€-6700€-4000€-1500€-800€
  • 504 Familiale / 72-79 / 2.0 c.c / 93cv / 14300€-9400€-5700€-2200€-900€
P.S. os valores (em euros) referem-se às notas 1, 2, 3, 4 e 5, respectivamente. A nota 1 é atribuída ao "estado de concurso", sendo que a nota 5 significa "estado de sucata".

Os clássicos de Rui Barata


Peugeot 504 GLD Automatique
(cotado como clássico pela "Ruoteclassiche" - publicação internacionalmente reconhecida no assunto - e pela "FIVA" - organismo máximo internacional responsável por esta matéria)

Em julho de 2008 foi alvo de artigo na Revista:

  

Nascido a 21 de abril de 1978, no Luxemburgo, fui naturalizado português em junho de 1983. Tive apenas dois donos, continuando sempre na mesma família... a minha família! Inclusive, ainda são mantidos, para minha valorização, os documentos de compra, garantia e legalização em Portugal.
Não fui comercializado no nosso país, pelo que, provavelmente, devo ser único ou muito raro em terras lusas. Mesmo noutros mercados não sou muito conhecido, senão vejamos: de quase 3,7 milhões de irmãos, só 700.000 eram movidos a gasóleo! Nessa categoria, bate o meu coração de 2288 c.c., propulsor algo raro e pouco conhecido. Pensa-se ser uma passagem do 2112 para o 2304 c.c., entre 1977 e 1978. O 2112 assumiu-se, aliás, quando foi introduzido, em 1970, como o diesel mais potente do mundo (65 cv), assim como o 2304, anos mais tarde (1978), pois foi a partir deste que se gerou o primeiro turbo-diesel do planeta. Efetivamente e, à escala mundial, os 504 seriam dos veículos a gasóleo que mais potência poderiam oferecer. Teoria comprovada por uma publicação online inglesa “Classic Car Mart”, em 2008, que afirmaria isto mesmo. As versões a gasolina, embora fossem referência pelo seu “trabalhar” silencioso, fiabilidade e disponibilidade - 1.8; 2.0 (disponível, também, com injeção Kugelfischer); V6 apenas no coupé e cabriolet - não se afirmaram, tão imponentemente, como os diesel. Estes últimos, da INDENOR (uma divisão industrial da marca) – que estiveram em produção contínua durante 50 anos e foram introduzidos em inúmeras aplicações e emblemas - apresentavam ainda um sistema único, patenteado pela nossa mãe Peugeot, que nos tornava menos faladores ao ralenti. De 44 versões diferentes disponíveis nos cinco continentes, só eu e mais seis irmãos meus possuíamos caixa automática alemã (ZF), uma das melhoras marcas do mundo neste tipo de sistemas - tornando-me, assim, num modelo ainda mais restrito. De facto, a minha essência (GLD / série limitada A45: diesel–automático, da qual fizeram poucos exemplares - pensa-se que cerca de 2000, a maior parte dos quais exportados para os EUA), esteve apenas em produção entre 1977 e 1978 (todavia, ainda foram comercializadas pouquíssimas unidades em 1979, antes da chegada da versão SRD automatique, em 1980, sendo esta, igualmente, muito escassa). Sou, assim, um carro muito raro um pouco por todo o lado, mesmo no meu país de origem. Qualquer das formas, a combinação mencionada (motor a gasóleo e transmissão automática) era muito invulgar no mercado automóvel desta altura, estando reservada a veículos de eleição. No ano de 1978, eu era, ainda, a berlina da Peugeot mais cara e luxuosa, sem falar do meu primo 604. Todavia, como verdadeiro topo-de-gama que fui, entre 1968 e 1975, o preço na terra dos meus pais, ou seja, em França, aquando do nascimento do meu irmão mais velho, em 1968, era o equivalente a cerca de 12700€.
Apresentei-me como o 1.º automóvel francês a dispor de vidros laterais curvos e encostos de cabeça. Estes últimos – ausentes, durante algum tempo, em concorrentes de peso - são escamoteáveis e podem ser inseridos dentro do banco, sem os retirar (sistema único no planeta). Ostento – ao contrário da maior parte dos meus familiares que vieram para Portugal e outros países – vidros escurecidos de tom castanho e canalização do ar quente e frio da respetiva climatização, para os passageiros que se fazem transportar no banco traseiro. A iluminação do meu painel da caixa automática, bem como do painel de instrumentos, pode ser controlada, ao mesmo tempo, através de um botão localizado neste último. Apresento, também, pré-instalação para faróis de nevoeiro à frente e atrás, luz e chave no porta-luvas, iluminação na mala, indicador da carga da bateria – ao contrário de modelos mais modernos - termómetro de água, relógio analógico, sistema de desembaciamento elétrico do óculo traseiro, cintos de segurança com enrolamento automático, apoio de braços central no banco traseiro, teto de abrir manual, suspensões independentes às quatro rodas, com duas barras estabilizadoras (modéstia à parte, extremamente confortáveis e robustas) e travões de disco com servo-freio, (às quatro rodas nas 1.ªs séries), maneiras de ser comuns à restante família 504. Em relação a estes dois últimos aspetos, convém salientar a aplicação pouco usual naquela época, mesmo contrapondo os potentes modelos americanos (berlinas e desportivos). Para além destes factos, o meu V transmissão / diferencial é interno, uma solução que foi inovadora perante os outros automóveis. Em certas variantes, ainda nos introduziram sistemas 4x4 (Dangel) e outros equipamentos, muito raros, como a direção assistida, os vidros elétricos, ar condicionado, estofos em pele, catalisadores e GPL! Apresentávamos, assim, no meu tempo, um leque de características dignas, apenas, de carros de exceção, mas largamente divulgadas nos dias de hoje.
Sobrevivemos durante 37 longos anos (1968-2005: o 504 foi o Peugeot que mais tempo se manteve no ativo), período em que demos muitas alegrias à marca que nos deu à luz. Razão, pela qual, existem sete exemplares em exposição no nosso museu, em Sochaux - sendo o carro do leão mais representado - e outro, em inox, no museu de Reims Champagne. Destaco, igualmente, o bom volume de vendas em quase todo o mundo (3.º no top do construtor. Em 1975, seríamos a berlina mais comercializada na Europa e, nos anos 90, ainda vendíamos mais que o topo de gama 605); as vitórias nos ralis africanos da década de 70 (muitos dos componentes de série eram idênticos aos dos nossos irmãos destinados à “guerra”); a robustez (ficou registado o bom nome desta geração de automóveis, através de serviços prestados durante largos períodos de tempo, entre outros casos, como táxi, ambulância, carro da polícia e de apoio ao ciclismo profissional, autocaravana, papamobile e modelo de luxo – por exemplo, em 2011, o presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, vendeu o seu 504 num leilão internacional, por 1,81 milhões de euros e Enzo Ferrari possuiu um outro, em 1969. Em imagens de arquivo da RTP, relativas ao 25 de abril, surge um 504 preto que servia altas patentes. Hoje e, em África, ainda nos encontramos a trabalhar arduamente!) Até fui estrela de cinema no passado e, agora, na velhice, chamaram-me novamente para este serviço!
Não é para me gabar, mas sou considerado um dos carros mais bonitos (desenhado por Pininfarina, em parceria com o atelier de design da Peugeot – rompendo, para sempre, com os estilos anteriores da marca. Os meus inéditos faróis dianteiros foram comparados, então, aos olhos da atriz internacional Sophia Loren), confortáveis, espaçosos, robustos e míticos desta família francesa. Bastante elogiado pela imprensa mundial, acabei por arrebatar o 1.º prémio internacional da Peugeot: “Carro do Ano 1969”, contra opositores de respeito: BMW 2500/2800; Alfa Romeo 1750; Audi 100; e Jaguar XJ, tendo sido enaltecidos o estilo, qualidade, chassis, visibilidade, requinte e potência. Ainda a este propósito, uma publicação australiana “Unique Cars and Parts” afirmaria, em 2010, que o 504 se encontrava, no seu tempo, entre os dez melhores sedans do mundo.

É claro que o meu dono não é alheio a tudo isto e, como tal, insiste em lidar comigo como se fosse uma pessoa... doido! Sou apenas um automóvel! Mas gosto muito que me tratem bem... quem é que não gosta!?